Mulheres ocupam as ruas de Vitória pelo fim da escala 6×1 e da violência

01/04/2026 | 09:04

A marcha aconteceu na última sexta, 6, em alusão ao Dia Internacional de Luta das Mulheres e reuniu diversos movimentos sociais nas ruas da capital

Na tarde da última sexta-feira, 06, centenas de mulheres capixabas ocuparam as ruas do Centro de Vitória num ato em alusão ao 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. A tradicional marcha, que esse ano se concentrou na frente do Palácio da Fonte Grande e caminhou até a Praça Getúlio Vargas, reuniu mulheres de diversas organizações sociais com o lema “Pela vida das mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”.

De acordo com o Fórum de Mulheres do Espírito Santo, organização que reúne diversos movimentos de mulheres capixabas, a marcha realizada aqui no Espírito Santo ecoou junto aos milhares de atos políticos realizados ao redor do mundo em defesa da vida e dos direitos das mulheres pois a luta das mulheres é internacionalista. “Neste 8 de Março, nossas vozes estão erguidas no Brasil inteiro contra a ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe e todas as agressões econômicas, políticas e militares que ameaçam a paz e a soberania dos povos. Estamos ao lado das mulheres palestinas, venezuelanas, cubanas e de todos os povos que resistem às ocupações, guerras e conflitos armados. Exigimos paz e o fim das intervenções imperialistas”, ressaltou o manifesto distribuído durante a marcha. Além disso, os movimentos de mulheres também definiram como mote dos atos pelo Brasil a luta pelo fim da escala 6×1 e pelo fim da violência contra as mulheres. “Em defesa das nossas vidas, afirmamos que a luta pelo fim da escala 6×1 é central. Esse modelo rouba o tempo, adoece e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria. Nos somamos ao manifesto nacional para afirmar que nosso feminismo é internacionalista e anti-imperialista”.

Bethania Emerick, diretora do Sindibancários/ES e integrante da Intersindical/ES, ressaltou que a violência contra a mulher não aparece do nada, ela é cultivada. “A violência começa na piadinha, no controle disfarçado de ciúme, na família que silencia, no vizinho que não quer se meter. E se completa no Estado que deveria proteger, mas investiga devagar, acolhe mal e julga pior. É nesse intervalo, de falta de ação, que a morte de uma mulher se torna possível”, explicou Bethania, convocando os companheiros homens para essa luta. “Por isso, conclamamos os homens que lutem conosco, que se posicionem, que se instruam e também instruam seus meninos sobre gênero, que não fiquem quietos quando virem uma mulher sendo importunada, que repensem suas ações e suas falas, que se tornem realmente nossos parceiros no dia a dia. Nós da Intersindical, estamos nas ruas hoje porque sabemos que não basta discurso bonito, estamos na luta pela vida de todas as mulheres, por nossos corpos e territórios livres”, afirmou.

Para Vanessa Espindula, diretora do Sindibancários/ES, o feminismo está em alta, e não é por influência e nem imposição, mas sim porque a mulher atual cresceu com o feminismo. “A mulher quer ter garantido seu direito de voz, seu lugar na política, seu lugar na luta sindical. Queremos direitos iguais e igualdade de oportunidade e participação. Por isso, basta de violência, de feminicídio, de machismo e de misoginia. O Sindicato dos Bancários do ES também está nesta luta pela vida das mulheres”, afirmou Vanessa.

As mulheres do Movimento dos Atingidos e Atingidas por Barragem (MAB) também participaram da marcha. “Nós, mulheres do MAB, temos nos organizado em torno de diversas pautas e a primeira delas é contra a invisibilização das mulheres no processo de reparação, contra a violência sofrida pelas mulheres em nossos territórios, inclusive a violência política de gênero, já que muitas mulheres sofrem perseguição de lideranças masculinas. A gente compreende que é na coletividade, construindo o feminismo popular, que a gente vai construir uma sociedade mais justa e mais igualitária para as mulheres atingidas e para todas as mulheres”, afirmou Ester Avancini, integrante do MAB.

Para Paola Ruzzene, diretora do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo e integrante do Movimento Policiais Antifascismo se juntar às mulheres trabalhadoras de diversas categorias é fundamental para fortalecer as lutas umas das outras. “O Movimento Policiais Antifascismo também luta por igualdade no trabalho, principalmente no trabalho policial, nas forças de segurança, que são espaços misóginos, onde o machismo é institucional, onde as mulheres não tem espaço e são, inclusive, desestimuladas a fazerem parte das corporações e quando entram sofrem o tempo todo com falas, piadas machistas e algumas com atos mais extremos de desrespeito e muitas mulheres cometem até suicídio por conta do tamanho da violência que sofrem dentro das instituições. Por isso, hoje também estamos aqui, ocupando as ruas, lutando por todas as trabalhadoras, pelo fim do feminicídio, pelo fim da escala 6×1, pelo reconhecimento do trabalho do cuidado que não é remunerado, nem reconhecido e que atinge e sobrecarrega todas as mulheres de todas as categorias”, apontou Paola.

A Deputada Estadual Camila Valadão caminhou ao lado das mulheres e saudou as companheiras ressaltando a força das mulheres que, mesmo em situações tão adversas seguem firmes na luta. “Quero saudar às mulheres lascadas porque é isso que nós somos vivendo nessa sociedade patriarcal. Saudar as mulheres que se lascam todos os dias na escala 6×1, no transporte público lotado, aquelas que não tem rede de apoio, nem políticas públicas para incluir seus filhos nas creches, as mulheres que se lascam na violência doméstica, aquelas que se lascam nos espaços de poder, enfrentando a solidão e a violência da política institucional, esse espaço que reproduz a misoginia e exclui qualquer pauta que tente avançar, minimamente, em condições de dignidade para as mulheres. Quero saudar a todas essas mulheres que mesmo assim não arredam o pé para cobrar melhores condições de vida para aquelas que estão aqui e para as gerações futuras, mulheres que não aceitam ser silenciadas, que vão em frente e não se omitem, que cobram e enfrentam o patriarcado, que seguem firmes acreditando que é possível construir uma sociedade sem violência, com igualdade e felicidade para meninas e mulheres”, saudou Camila.