
No dia 13 de agosto, diretoras e diretores do Sindibancários/ES estiveram no prédio do Bandes, no centro de Vitória, para dialogar com a categoria sobre machismo, violência contra a mulher e o papel dos homens nessa luta.
Bethania Emmerick, diretora responsável pela Secretaria de Mulheres do Sindicato, apresentou a campanha Feminicídio Zero – nenhuma a menos & nenhuma em silêncio, o hotsite e seus conteúdos, dentre eles o vídeo com Milly Lacombe durante a Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias, realizada em abril.
“Como categoria, precisamos nos posicionar e entender que este não é um assunto que fica da porta pra fora, é um assunto que também pertence a categoria e precisa ser discutido em todos os espaços da nossa sociedade”, enfatizou Bethania.
A campanha é uma iniciativa permanente do Sindicato para combater a violência contra a mulher e o feminicídio e, além da Grande Vitória, contará com ações em agências do interior.
A diretora também falou do crescimento do movimento red pill e incel. Os dois termos fazem parte da “machosfera”, um conjunto de comunidades virtuais que compartilham visões hostis em relação às mulheres.
Incel, em inglês involuntary celibate (celibatário involuntário), faz referência a homens que não conseguem manter relações sexuais ou afetivas com mulheres. Os membros dessas comunidades costumam desenvolver forte sentimento de frustração, rancor e ódio contra as mulheres e contra a sociedade em geral, culpando-as por sua falta de sucesso amoroso.
O movimento red pill é uma ideologia adotada por grupos que afirmam ter "despertado" para uma suposta verdade sobre a sociedade: a de que os homens seriam oprimidos ou prejudicados pelas mulheres e pelo feminismo. Incentiva os homens a buscarem status, poder, controle emocional e a rejeição de papéis considerados submissos ou "fracos".
Esses conceitos e ações tem alcançado não só homens adultos, mas também meninos e adolescentes. “Além de dar o exemplo que é fundamental, precisamos ter muita atenção e conversar bastante com os adolescentes, saber o que está acontecendo na escola e o que estão consumindo nas redes sociais”, pontuou a dirigente.











Homens no combate à violência contra a mulher
Sobre o papel dos homens no combate à violência contra as mulheres, Idelmar Casagrande, diretor da entidade, afirmou: “É o chamado que a gente faz pra categoria bancária, principalmente os homens, temos um papel fundamental de fazermos esse debate no dia a dia, no local de trabalho, na igreja, no boteco, aonde estivermos”.
O diretor André Tosta chamou a atenção para a importância de parar de ser conivente com as pequenas agressões do dia a dia e de conversar não só com jovens, mas também com adultos.
“É ótimo que tenhamos a preocupação em conversar com crianças e adolescentes, mas o que estamos fazendo com a criança que já cresceu, o adulto como a gente? Nos locais de trabalho, bares e nossas casas, estamos permitindo reproduzir o machismo? Estamos sendo coniventes? Estou conclamando aqui com os nossos colegas homens para ficarmos de olho não só no nosso comportamento, mas no comportamento do nosso amigo, cunhado, irmão, pai, colega de trabalho, chefe”, destacou o dirigente.
Ciclo da violência
Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES, falou sobre o ciclo da violência e ressaltou o impacto da sua repetição na vida das mulheres: “Cada vez que tem uma violência nesse ciclo, a mulher vai morrendo aos poucos, pois essas marcas da violência não são superadas facilmente. Além disso, à medida que o ciclo da violência vai se repetindo, se ele não for interrompido, pode chegar ao feminicídio”.
Para a diretora, esse ciclo também se repete no ambiente de trabalho. “E aí eu quero chegar no trabalho, em que a maioria dos chefes é homem e quero perguntar: quantos de vocês praticam essa morte lenta no trabalho? Quantos inviabilizam projetos encabeçados por mulheres ou as inferioriza apenas por serem mulheres?”, completou Rita.
Depoimentos
“Tenho dois filhos pequenos e uma coisa que fico pensando e tentando fazer é ser o exemplo em casa, ensinar a respeitar a mãe e as mulheres. Precisamos levar essa discussão para as nossas casas”.
Eduardo Kuster, bancário do Bandes
“Quando acompanhamos a situação de alguém mais próximo, passamos a entender um pouco melhor o que é ser mulher num país como o nosso, o quanto é difícil e falta suporte”
Robson Pereira, bancário do Bandes e ex delegado sindical
Fotos: Zanete Dadalto
