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Escala 6×1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres

12/05/2026 | 02:05

Lideranças sindicais, parlamentares e pesquisadoras defenderam redução da jornada e política nacional de cuidados durante audiência da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher

A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher (CMCVM) realizou, na última quarta-feira (6), no Senado Federal, uma audiência pública para debater a escala 6x1 e as jornadas exaustivas como formas de violência estrutural e econômica contra as mulheres.

A atividade reuniu parlamentares, pesquisadoras, representantes do movimento sindical e especialistas em políticas de cuidado e saúde do trabalhador. O debate foi solicitado pela deputada federal Luizianne Lins (Rede-CE), autora do requerimento que motivou a audiência pública.

Na justificativa do pedido, a parlamentar afirma que a jornada exaustiva “não é apenas uma questão laboral”, mas uma dimensão da violência estrutural que atinge desproporcionalmente as mulheres. O documento destaca que mulheres submetidas à escala 6x1 frequentemente utilizam o único dia de descanso para realizar tarefas domésticas e de cuidado não remuneradas, ficando privadas do direito ao lazer, ao descanso e ao autocuidado.

Assista á audiência: https://www.youtube.com/live/CoduZEdrMHQ

Bethania Emmerick, responsável pela Secretaria de Mulheres do Sindibancários/ES, ressaltou a importância desse debate não só pela luta pelo fim da escala 6x1, mas também para ampliar o debate sobre igualdade e combate à violência estrutural.

“Podemos pensar que essa escala é um aprisionamento para as mulheres. O único dia de folga é o dia que você tem que cuidar de todas as atividades da casa, já que muitos lares brasileiros são formados por mães solo e grande parte dos homens ainda não compartilha as tarefas domésticas. Então há esse aprisionamento de estar 100% trabalhando: no trabalho formal e em casa fazendo trabalho doméstico e do cuidado”, afirmou Bethania.

“Com a redução dessa escala, com dois dias de folga, as mulheres poderiam descansar, cuidar de si, estudar, fazer alguma atividade voltada para o lazer e prazer”, completou a dirigente.

Luizianne Lins: “O tempo também é um recurso político”

Ao abrir a audiência, Luizianne Lins destacou que a divisão desigual do tempo aprofunda a vulnerabilidade feminina. “Discutir a escala 6x1 nesta comissão é reconhecer que o tempo é um recurso político e que sua distribuição desigual constitui uma forma de violência”, afirmou.

A deputada citou estudos da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) e da Unicamp que mostram que mulheres submetidas à escala 6x1 podem ultrapassar 67 horas semanais de trabalho quando se soma a jornada remunerada ao trabalho doméstico e de cuidado.

Ela ressaltou ainda que a escala afeta principalmente setores com forte presença feminina, como comércio, limpeza, hotelaria e enfermagem.

Pesquisa DataSenado mostra agravamento da percepção da violência

Durante a audiência, diversos participantes utilizaram dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, produzida pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência.

A pesquisa entrevistou 21.641 mulheres em todo o país e é considerada a maior e mais longa série histórica sobre violência doméstica no Brasil.

Entre os dados destacados no debate:
•    79% das mulheres acreditam que a violência doméstica e familiar aumentou nos últimos 12 meses; 
•    70% consideram o Brasil um país muito machista; 
•    27% das brasileiras afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homem, o equivalente a 23,6 milhões de mulheres; 
•    46% afirmam que as mulheres não são tratadas com respeito no Brasil; 
•    O ambiente familiar aparece em crescimento como espaço de desrespeito às mulheres. 

Também foram citados dados sobre os impactos da violência na vida cotidiana das mulheres e o desconhecimento sobre mecanismos de proteção, como medidas protetivas e serviços especializados.

Consulta Nacional dos Bancários inclui debate sobre jornada e escala 6x1

A discussão sobre redução da jornada de trabalho também está presente na Consulta Nacional dos Bancários 2026, organizada pelo movimento sindical bancário. O questionário aplicado à categoria inclui perguntas específicas sobre jornada de trabalho e sobre a importância da pauta do fim da escala 6x1.

É fundamental que bancárias e bancários participem da consulta, contribuindo com a definição das prioridades da campanha nacional da categoria.

A participação pode ser feita pelo endereço:
https://consultabancarios2026.votabem.com.br/

Fonte: Contraf com edições Sindibancários/ES.