Tipos de violência contra a mulher
O ciclo da violência e a morte evitável
A violência contra as mulheres tem um padrão cíclico e escalável. Por isso, o feminicídio é considerado um crime evitável, uma vez que ele é precedido de uma série de violências que vão tomando proporções cada vez maiores até chegar no ponto final. Na maioria dos casos, o agressor é conhecido. Companheiros ou ex-companheiros são os principais assassinos, o que possibilita um monitoramento da escalada da violência que a vítima sofreu até ser assassinada.

Por isso, fique atenta aos sinais! Não tolere grito, agressão física ou psicológica, toque sem consentimento, insultos e assédio.
Diante de qualquer forma de violência, denuncie!
Você não está sozinha.
Conheça os tipos de violência contra a mulher
A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de violência contra a mulher, que podem, inclusive, ocorrer ao mesmo tempo:
Violência Psicológica
Essa é uma das formas de violência mais sutis que atinge milhares de mulheres. Silenciosa, a violência psicológica é brutal e devastadora. Pode ser reconhecida por ações que causam sofrimento emocional, diminuição da autoestima da mulher, tentativa de controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.
Fique atenta aos sinais.
- Ameaças;
- Constrangimento;
- Humilhação;
- Manipulação;
- Isolamento (proibir d estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes);
- Vigilância constante;
- Perseguição contumaz;
- Insultos;
- Chantagem;
- Violação de sua intimidade;
- Exploração;
- Limitação do direito de ir e vir;
- Ridicularização;
- Tirar a liberdade de crença;
- Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting).
Violência Física
Essa é uma das formas de violência mais facilmente identificada. As vítimas carregam no corpo as marcas do machismo na sua expressão mais cruel. Tapas, socos, beliscões, mordidas, chutes ou qualquer outra ação que viole o corpo do mulher e causa dor é considerada violência física.
- Espancamento;
- Tapas;
- Socos;
- Atirar objetos, sacudir e apertar os braços;
- Estrangulamento ou sufocamento;
- Lesões com objetos cortantes ou perfurantes;
- Ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo;
- Tortura.
Violência Sexual
Medo, vergonha e dor. Essas são feridas que a violência sexual deixa nas mulheres, e é ainda mais perversa quando vitimiza crianças e adolescentes. De acordo com a Lei Maria da Penha, essa violência pode ser definida como qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.
- Estupro;
- Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa;
- Impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar;
- Forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação;
- Limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.
Violência Patrimonial
Esse tipo de violência ocorre quando o agressor se apropria ou destrói objetos ou documentos pessoais da mulher, seus instrumentos de trabalho ou outros recursos econômicos que ela utiliza para sobreviver. Esse tipo de violência afeta a autonomia e a dignidade das vítimas.
- Controlar o dinheiro;
- Deixar de pagar pensão alimentícia;
- Destruição de documentos pessoais;
- Furto, extorsão ou dano;
- Estelionato;
- Privar de bens, valores ou recursos econômicos;
- Causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste;
Violência Moral
Ocorre quando a mulher é vítima de qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
- Acusar a mulher de traição;
- Emitir juízos morais sobre a conduta;
- Fazer críticas mentirosas;
- Expor a vida íntima;
- Rebaixar a mulher por meio de xingamentos que incidem sobre a sua índole;
- Desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir.
Fique Atenta!
A violência contra a mulher é de responsabilidade social. De acordo com a psicóloga Cláudia Sales muitas mulheres acabam desenvolvendo dependência emocional em relação aos seus agressores, o que torna mais difícil reconhecer o ciclo da violência e romper com a relação.
“A dependência emocional é tão séria que estudos indicam que ela age no cérebro no mesmo lugar da cocaína. É uma dependência química mesmo com alterações na produção de hormônios. A mulher tem sintomas reais de abstinência e sente que precisa daquela pessoa para viver. E à medida que o ciclo vai se repetindo, a mulher vai se perdendo de si, tendo sua capacidade cognitiva prejudicada.
Por isso, é tão importante o acolhimento, acompanhamento terapêutico especializado pra essa mulher se reorganizar, se fortalecer, construir um novo plano de vida.
Nesse processo é essencial que essa mulher não seja abandonada e, muitas vezes, é aqui que a sociedade falha”.
